COMUNICADO A POPULAÇÃO E AOS USUÁRIOS DA UNIMED
CAMPINAS
COM DIAGNÓSTICO DE CÂNCER E QUE TENHAM INDICAÇÃO
DE QUIMIOTERAPIA
No dia 29 de maio de 2009, encaminhamos a Imprensa, um comunicado,
que transcrevemos em parte abaixo, que não deve ter chamado muito
a atenção dos leitores:
Como médico oncologista cooperado da Unimed Campinas há
31 anos, sinto-me afrontado com a divulgação da matéria
"Quimioterapia tem centro especial" e do anúncio "A
quimioterapia ganhou humanoterapia", veiculadas ontem no caderno
Referência em Saúde. Os usuários da Unimed tem o
direito de saber que esse centro foi montado a revelia dos oncologistas,
não tem médicos oncologistas cooperados na sua equipe
e contraria a lei básica do cooperativismo ao competir com seus
próprios especialistas.
Há a conotação que o atendimento oferecido nos
últimos anos, que vem salvando milhares de vidas, não
é humanizado e que as clínicas oncológicas e hospitais
locais, como o Boldrini na oncologia pediátrica, todos com especialistas
renomados, que vem mantendo um atendimento de alto nível aos
usuários por anos a fio, a partir de agora não são
mais adequados.?
Voltamos ao assunto após um ano, face a fatos que aconteceram
recentemente e que , pela dimensão que estão atingindo,
faz-se necessário pela insegurança que estão gerando
em nossos pacientes e seus familiares e por nos depararmos na data de
hoje, 19 de Maio de 2010, com nova matéria no caderno especial
de Hospitais, Clínicas e Medicina Complementar do Correio Popular,
que faz referencia ao centro de quimioterapia em questão.
A Unimed Campinas, como foi extensamente veiculado pela imprensa,
inaugurou há pouco mais de um ano um serviço de quimioterapia
ambulatorial, para tratamento do câncer, que recebeu o nome de
Centro de Quimioterapia Ambulatorial, CQA. Este serviço nasceu
como uma grande aberração, primeiro por competir com os
médicos oncologistas cooperados e segundo por pretender atender
a todos os usuários que necessitam de quimioterapia em um único
local, por 5 médicos contratados , não cooperados inicialmente
mas, contrariando toda rigidez existente até então na
admissão de oncologistas, foram ? transformados? em cooperados,
de uma hora para outra ( aos amigos e serviçais, tudo é
permitido) sendo dois oncologistas clinicos, um oncologista pediátrico,
um hematologista e um clinico geral, criando um novo especialista, de
quem não se tinha notícia na comunidade médica,
o quimioterapeuta, médicos que lá estavam, segundo informações
que recebíamos, apenas para prescrever o tratamento! Após
um ano tudo mudou, como se lê na matéria do caderno especial
publicado hoje. Até receberam um prêmio nacional, fornecido
por quem? Pela Central Nacional das Unimeds, por Experiência de
Sucesso! Só esqueceram de perguntar a opinião dos que
vão até o tal centro para solicitar uma guia para tratamento
fora do mesmo!
Vamos então ao outro lado dessa história, para muitos
pacientes isso se transformou numa verdadeira tragédia face a
todas dificuldades que tem tido para exercer seu direito, hoje totalmente
negado, de receber seus tratamentos oncológicos na clínica
da sua escolha!
No final de 2009 um novo contrato foi imposto as clínicas credenciadas,
e se aceito, passaria a vigorar a partir de 01 de Janeiro de 2010, pretendendo
utilizar uma tabela de retribuição de medicamentos, com
90% dos medicamentos sendo pagos por valores inferiores ao custo atual
pago pelas clínicas credenciadas aos fabricantes. Frente a isso
e a total impossibilidade de negociação com os dirigentes
responsáveis, só restou as clínicas não
assinarem o contrato, sendo obrigadas a solicitar descredenciamento
a partir de 01 de Janeiro de 2010, para tentar sobreviver.
O que isso significa aos usuários da Unimed que necessitam
de tratamento de câncer? Significa que não podem mais ter
livre escolha do oncologista da sua preferência e para quem tenham
sido encaminhados. Terão que utilizar um serviço impessoal,
onde serão atendidos por um médico desconhecido, para
quem não foram encaminhados, perdendo seu direito adquirido quando
da entrada no seu plano de saúde, o de escolher livremente o
médico com quem deseja se tratar, o que é direito adquirido
frente a Agência Nacional de Saúde e que o novo Código
de Ética Medica do Conselho Federal de Medicina também
assegura .
Em comunicado oficial, publicado apenas no Diário do Povo no
dia 03 de Fevereiro de 2010, a Unimed referiu que o encerramento dos
atendimentos pelas clínicas crednciadas aconteceu ?sem qualquer
prejuízo aos usuários da cooperativa médica?.
Como podem explicar que seis clínicas credenciadas que atendiam
a 90% (noventa por cento) dos pacientes passaram a não atender
e não houve prejuízo aos usuários?
Nos comunicados da Unimed aos seus cooperados, às empresas
contratantes e usuários em geral a oncologia e os oncologistas
tem sido massacrada, com citação dos seus custos, com
demonstrações gráficas e numéricas, induzindo
a todos a creditar o alto custo dos medicamentos oncológicos
aos oncologistas e suas clínicas!
Não nos calaremos frente a tudo o que vem ocorrendo, seguiremos
nossa luta, agora já na esfera judicial, já que esgotamos
todos os recursos de diálogo com a anterior e atual direção
da cooperativa. Queremos voltar a exercer integralmente a nossa especialidade,
que só pode ser exercida se pudermos prescrever os tratamentos
quimioterápicos aos nossos pacientes. Queremos voltar a trabalhar
com a mesma dedicação, ética e dignidade que sempre
pautou a nossa vida pessoal e profissional .
Nossa sugestão é que todo aquele que necessitar de tratamento
de câncer pela Unimed Campinas e for direcionado, contra sua vontade,
ao citado serviço de quimioterapia CQA, faça valer os
seus direitos como paciente e consumidor. Cobre seus direitos dos médicos
dirigentes da Unimed, o que não deverá ser uma tarefa
fácil e também encaminhe sua queixa a Agência Nacional
de Saúde, Delegacia do Conselho Regional de Medicina, ao Ministério
Público e Procon, para continuar exercendo seu direito de livre-escolha.
No dia de ontem, estivemos presentes e recebemos pela palavra do nosso
colega de turma e atual prefeito, Hélio Oliveira Santos, a alvissareira
notícia da chegada do Hospital Sírio Libanês na
nossa cidade, que trará realmente modernidade aliada a alta tecnologia
e verdadeira humanização na nossa medicina para se tornar
exemplo e parâmetro para o futuro . Na solenidade de ontem, ironicamente,
sentamos na companhia do atual diretor do Centro de Oncologia do Sírio
Libanês, responsável pelo tratamento oncológico
do nosso vice-presidente José de Alencar, que todo pais sabe
que sobrevive graças a um tratamento oncológico experimental
( que nunca seria aprovado pela Unimed Campinas!) e também da
colega que tratou a atual candidata a presidente do pais. Já
conheciam mas atualizamos as mazelas pelas quais nós oncologistas
de Campinas estamos passando, para eles algo surreal e totalmente incompreensível,
já que tratam seus pacientes com total liberdade.
Juvenal Antunes de Oliveira Filho, CREMESP 21661
- Médico oncologista clínico da Oncocamp
- Especialista em oncologia clínica pela Sociedade Brasileira
de Cancerologia/Associação Médica Brasileira/Sociedade
Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)
- Especialista em oncologia médica pela European Society of
Medical Oncology (ESMO)
- Membro Emérito da Sociedade Brasileira de Cancerologia
- Membro da American Society of Clinical Oncology ( ASCO) e ESMO
- Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clinica gestão
1985-87
|